Revista Pensar Nº 12 - Setembro 2018

68 - PENSAR UNIMED | Setembro de 2018 T enho trabalhado o tema da busca de inovação emminhas palestras sob o viés das pessoas e isso invariavelmente causa alguma estranhe- za para aqueles na plateia que – atraídos pelo tema - esperam um papo sobre bits, algoritmos, inteligên- cia artificial e tecnologia. E nelas, trato de pessoas e suas posturas, pessoas e suas atitudes, exemplos das lideranças, dos comportamentos e das percepções que emanam delas porque acredito que é desse “caldo má- gico” que se forma o ambiente para que uma organiza- ção possa inovar. E essa minha tese. E ela é ancorada em dois pontos chave: Primeiro porque acredito que inovação vemmuito mais da postura e da atitude dos líderes. Vemmais da capacidade de cada organização de questionar constantemente (em épocas de crise como em épocas de fartura) o próprio modelo e, muito menos do seu poder de compra de novas tecnologias. Porque ino- vação temmuito mais a ver com a atitude dos líderes, com a inquietude das pessoas e com o ambiente das empresas do que com a capacidade do departamento de compras de adquirir um novo aplicativo. Pois se fosse somente a capacidade de compra, boa parte das organizações ricas que pereceramvelhas e obsoletas nestes últimos anos teriam conseguido ganhar alguma sobrevida comprando tecnolo- gia. Mas não é o que se assiste no obituá- rio empresarial desses nossos tempos. E você já deve ter visto grandes organizações com o caixa farto, que compram tudo que existe de mais moderno em softwares e aplicativos, mas que conti- nuam empresas velhas e obsoletas. Compram o novo, mas esse novo não as torna mais novas. Pelo contrário. Escancara sua fragilidade de lidar com o que – parece – que não lhe pertence com legitimidade. Por que isso? Porque se atitude dos líderes é a de perpetuar a lógica vigente – a lógica de passado - e a atitude é de não querer enxergar, o espírito da orga- nização se torna refratário e complacente. E nenhum software vai resolver isso. Por que se a atitude é de fazer gestão olhando pelo retrovisor, cria-se um am- biente de oposição ao questionamento. E se ninguém consegue ter coragem de questionar o modelo, a cul- tura se encarrega de destruir toda e qualquer iniciativa inovadora. Meu segundo ponto chave diz respeito às pessoas da organização. Tenho defendido emminhas pales- tras pelo Brasil e emmeus livros que nos planos de negócios e nos planejamentos de final de ano, pensa- mos nossas organizações como CNPJs, como pessoas jurídicas, como entidades sem rosto, nas planilhas de excel do financeiro, sem alma, sem emoções. Mas as coisas realmente acontecem, todos os dias, com uma pessoa física na frente de outra pessoa física. Gente movida muito mais pela emoção e pela reação ao estresse da sociedade atual, do que pela razão ou pelos manuais. Ou seja, sãos os CPFs, são os seres huma- nos, que levamadiante grandes estraté- gias empresariais ou que as sabotamna primeira oportunidade. E com a busca de inovação não é diferente. Porque são as pessoas que fazem o negócio, seja ele qual for. Porque são elas na empresa que vivem o dia a dia das experiências com os públicos do negócio e esse é um terreno rico para se aprender. Porque dessas experiên- cias na interação com públicos internos e externos é que surgem as incontáveis “horas da verdade de qual- quer organização”. E dessas experiências surge a pos- sibilidade de enxergarmos as incoerências do negócio, as armadilhas do velho modelo, os erros, as miopias, as inconsistências do modelo atual, as contradições, o que já não temmais valor, os equívocos - que nós não enxergamos mais, mas que salta aos olhos dos clientes que nos abandonam por isso. Arthur Bender Estrategista especializado em posicionamento de marcas e negócios, escritor, palestrante e empresário da comunicação, CEO da SELLING Comunicação e Marketing, da Consultoria de marcas KEY JUMP, e das empresas EMBRACE e BELIEVE IT! inovação é atitude dos líderes ARTIGO

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