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Mais!
Revista
13
CAPA
ESPECIAL
O
Doutor
é
se tornar ferramentas interessantes para
fornecer orientação e informação sobre
gerenciamento e promoção da saúde
para a população, além de formar co-
munidades com o intuito de colaborar e
apoiar as práticas médicas. O estudo de-
monstrou que mais de 65% dos médicos
usam algum tipo de rede social para fins
profissionais, principalmente em comuni-
dades dirigidas aos profissionais de saúde.
A pesquisa constatou que os médi-
cos estão usando as redes sociais pa-
ra uma variedade de fins profissionais,
principalmente para buscar informações
sobre educação. “Eu procuro por novos
desenvolvimentos na medicina, leio ar-
tigos inéditos e ouço especialistas”, res-
pondeu um dos entrevistados. Além
disso, os médicos também fazem uso
dessas plataformas para se comunicar
com colegas – seja para troca de co-
nhecimento sobre questões de um pa-
ciente, para discutir desafios profissionais
ou simplesmente para manter contato.
Responder ou não, eis a questão
Muitos médicos ponderaram sobre
o relacionamento com os pacientes nas
redes sociais. Um terço dos entrevista-
dos disseram que um paciente tentou
ser “amigo” deles no Facebook. Aproxi-
madamente 75% dos médicos recusa-
ram ou ignoraram o convite. “Alguns pa-
cientes me adicionaram como ‘amigo’
e eles enviaram mensagem com per-
guntas. Não considero que esta seja a
melhor forma de comunicação, mas me
sinto incomodado ao não responder”,
explicou um dos médicos entrevistados.
Ainda de acordo com o estudo da
QuantiaMD, os médicos demonstram
maior interesse em apoiar o comparti-
lhamento de materiais educativos com
seus pacientes. Além disso, há um cres-
cente interesse em encontrar formas
de monitorar a saúde e o comporta-
mento dos pacientes on-line. Quando
questionados sobre os benefícios da
interação virtual com os pacientes, os
médicos citaram a melhoria do acesso
à informação sobre os cuidados com
saúde por meio de uma comunicação
mais rápida e conveniente.
No entanto, com toda a promessa
e potencial vêm fortes preocupações.
Cada vez mais
discute-se sobre a
influência das
Redes Sociais na
Medicina
s mídias sociais e sua relevância para o setor de saúde têm re-
cebido atenção significativa recentemente. No entanto, como
os médicos podem usar essas plataformas para melhorar o
atendimento ao paciente ainda é uma pergunta sem resposta.
Esta é uma questão importante, dada a velocidade com que as mídias sociais
têm se tornado assunto constante entre pacientes, médicos e outros profis-
sionais de saúde interessados. A relação entre a medicina e as redes sociais
foi tema de debate do V Congresso Médico Unimed.
“As redes sociais são tão antigas quanto a história do homem. As pessoas
sempre tiveram a necessidade de se relacionar. É uma questão de antro-
pologia associada às possibilidades que a tecnologia oferece hoje”, desta-
ca Dr. Henry Sznejder, gerente de Planejamento e Informações Médicas da
Unimed-Rio. Hoje, antes de comprar produtos ou serviços, 90% das pessoas
ouvem opiniões de conhecidos para tomar a decisão. Ou seja, o que antes
valia apenas para um seleto grupo de pessoas de sua confiança, agora é
ampliado para um universo inimaginável.
Uma pesquisa realizada em agosto deste ano pela rede norte-americana
de relacionamento médico, QuantiaMD, aponta que as mídias sociais podem
A
* A pesquisa ouviu 4,033 médicos e foi concluída em agosto de 2011 pela rede QuantiaMD.
Veja abaixo alguns exemplos de
redes sociais dirigidas aos médi-
cos e pacientes:
1)
www.quantiamd.com
Comunidade virtual com mais de
125 mil médicos cadastrados para
intercâmbio de informações e es-
tudos de caso.
(em inglês)
2)
www.patientslikeme.com
Comunidade de pacientes, pes-
quisadores e cuidadores para tro-
ca de opiniões e informações so-
bre tratamentos.
(em inglês)
3)
www.csn.cancer.org
Rede criada pela Sociedade Ame-
ricana de Câncer dedicada à pa-
cientes com câncer.
(em inglês)
4)
www.myspine.com
C
omunidade virtual dirigida a
profissionais especializados em
coluna.
(em português)
Dicas da
Mais!
“Devido às facilidades de comunica-
ção pela internet, tem sido cada vez
mais frequente os pacientes solicita-
rem atendimento médico por meio
eletrônico, mas o profissional poderá
estar infringindo o Código do Sigilo
Médico e também fazer uma interpre-
tação equivocada do quadro apresen-
tado sem examiná-lo, incorrendo num
maior risco de conduta não adequada
para o paciente e o médico ficar mais
exposto para sofrer processos judiciais
e éticos. Neste caso, considero mais
prudente que o médico evite o uso
do meio eletrônico para as condutas
em termos terapêuticos, reservando
esse recurso apenas para orientações
e esclarecimentos aos seus pacientes”,
ressalta Dra. Dóris Zogahib, cooperada
da Unimed-Rio.
“No Congresso Médico, fomos muito
questionados sobre o efeito legal do
que se escreve na rede social, ou seja,
qual o impacto disso quando aquilo
que dizemos passa a estar na web,
numa página nossa. A responsabilida-
de de uma informação publicada na
web é basicamente a mesma da pala-
vra fora da rede, mas com o agravante
de contar com o registro por escrito.
Sendo assim, o cuidado precisa ser
redobrado ao participar destas redes,
não pela exposição mas pela necessi-
dade de se averiguar os impactos do
que foi publicado e suas repercussões”
finaliza Dr. Henry Sznejder.
Por Francielle Hensoldt
Como os
médicos podem
usar as mídias
sociais ainda é
uma pergunta
sem resposta
Dra. Dóris Zogahib
Dr. Henry Sznejder
Mais!
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