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Perguntamos a dois cooperados da Unimed-Rio como eles vêem
esse relacionamento com os pacientes e o que é possível ser feito para
melhorar essa convivência.
Confira a opinião deles:
“O relacionamento médico-paciente deve
ser o mais transparente possível em relação ao
diagnóstico, indicação do tratamento e prog-
nóstico de recuperação de sua doença. Tudo is-
to deve ser feito com clareza e com um lingua-
jar acessível, a fim de que ele possa se interar
de sua condição e compartilhar com o médico
todas as decisões inerentes à sua situação. Des-
sa maneira, a relação será de confiança mútua.
Acredito que a maioria dos especialistas busca
uma relação interpessoal amistosa e amigável
com seus clientes. Porém, concordo que deve-
mos tentar modificar a imagem do profissional
de saúde, que está realmente desgastada.”
Dr. Jorge Luiz Mezzalira Penedo, 57 anos
Ortopedista e Traumatologista
“Tenho uma boa relação com meus pa-
cientes. Com frequência acabo me tornando a
pediatra da família inteira ou a médica conse-
lheira e amiga. Apesar disso, entendo que hoje
os clientes estão mais desconfiados, beirando
até mesmo a agressividade, pois já chegam à
primeira consulta pressupondo que serão mal
atendidos. Acredito que este desgaste se deve a
vários motivos: propagandas negativas, profissio-
nais mal preparados e falta de respeito mútuo,
médicos que não cumprem horários e agendas
por motivos não relacionados à prática profis-
sional, pacientes faltosos, entre outros. No fun-
do, existe uma falta de respeito generalizada.”
Dra. Flávia de Araujo Ferreira da Silva, 38 anos
Pediatra
E os médicos, como eles se sentem?
Acredito
que a
maioria dos
especialistas
busca uma
relação
interpessoal
amistosa e
amigável
com seus
clientes
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A
Dr. Jorge Luiz Mezzalira Penedo
CAPA
ESPECIAL
Dra. Flávia de Araujo
Ferreira da Silva em
seu consultório
Desenvolvimento da tecnologia
reforça atuação centrada na
doença e não no paciente
NA RELAÇÃO
?
Por ALINE ARAUJO
o mesmo tempo em que os avanços médicos
permitem o monitoramento imediato, eficien-
te e direto dos pacientes, por outro lado estas
mesmas tecnologias oferecem uma enxurrada
de informações que acabam por influenciar o comporta-
mento dos próprios clientes, que podem se tornar des-
crentes e impacientes com os médicos. Cada vez mais
a discussão em torno da interferência da tecnologia na
relação médico-paciente tem ganhado espaço no dia a
dia dos profissionais de saúde.
Dados do Hospital Johns Hopkins, nos Estados Uni-
dos, dão uma noção da insegurança causada por este
fenômeno e apontam que um em cada quatro pacien-
tes sente que seu médico algumas vezes o expõe a ris-
cos desnecessários. Os pacientes costumam dizer que
a análise clínica não é mais apoiada no ser humano e
em suas especificidades, mas unicamente no cuidado e
na prevenção da doença.
Práticas como o diálogo, o exame minucioso, a ob-
servação e o trabalho em equipe acabaram ganhando
importância secundária, criando o que alguns chamam
de “desumanização” no atendimento. No entanto, tam-
bém é preciso pensar no outro lado da moeda: como
os médicos se sentem ao cumprir uma longa jornada
de trabalho atendendo a mais pessoas do que real-
mente poderiam lidar e ainda ter como missão cuidar
da saúde dos pacientes?
Você sabia?
Desde os anos 90, as universidades americanas pro-
movem treinamentos médicos voltados para simular situ-
ações delicadas, que envolvem família e terceiros, com o
objetivo de aprimorar as habilidades dos médicos para a
tomada de decisões e aperfeiçoar o trabalho em equipe.
Com o passar do tempo, a metodologia foi difundida para
outros países e notou-se que era importante mudar sua
finalidade. Hoje, ela visa suprir as maiores carências entre a
relação médico-paciente, ou seja, a dificuldade de comuni-
cação, a capacidade de conquistar a confiança dos doentes
e de criar empatia com eles. Competências tão valorizadas
atualmente, que entraram como critério para ingresso dos
profissionais em diversos hospitais brasileiros.
Dr. José Luiz
Mezzalira
Penedo