8
Revista Conexão - Julho / Agosto / Setembro de 2014 - Edição 14
Pela
Quando a estudante de farmácia
Gabriela Fonseca ficou grávida do pri-
meiro filho, Pedro Ivo, antes mesmo de
procurar um obstetra para fazer o pré-
natal, se informou sobre as opções de
parto. Conversou com uma amiga que é
doula (assistente de parto sem for-
mação médica)
e procurou fóruns de
internet que reúnem mães. Assim,
quando chegou ao consultório da obs-
tetra Ângela Campos, da Unimed de
Poços de Caldas, já estava decidida a
fazer o parto natural com o mínimo de
intervenções.
Mediante a demanda da paciente,
a médica procurou explicar que, caso
tudo ocorresse dentro da normalidade
esperada, ela poderia, sim, ter o seu de-
sejo atendido. "Na primeira consulta de
pré-natal
,
senti confiança na especia-
lista. Isso contribuiu muito para que a
minha gestação fosse tranquila", relata
Gabriela Fonseca.
No decorrer do pré-natal, ela cons-
truiu um plano de parto verbal junto
com a obstetra, no qual explicitava sua
opção de não ser submetida à epsioto-
mia, ao toque, ao atendimento por aca-
dêmicos e à administração de ocitocina.
Além disso, desejava fazer o parto de
cócoras. "A Dra. Ângela Campos esteve
comigo durante boa parte do meu tra-
balho de parto. A presença dela foi im-
portante, pois me deu segurança de que
tudo aconteceria de acordo com as mi-
nhas decisões", recorda.
Histórias como a de Gabriela Fon-
seca têm sido cada vez mais frequen-
tes nos consultórios obstétricos. Essa
demanda reflete uma mudança global
que alinha diversos fatores, como o
empoderamento da mulher sobre o
próprio corpo, as práticas da medicina
cada vez mais humanizadas e as reco-
mendações de órgãos importantes,
como a OrganizaçãoMundial da Saúde.
Plano de parto
Tomar decisões sobre o próprio parto
não é uma tarefa simples. Nesse mo-
mento singular na vida da mulher, que en-
volve mudanças físicas e emoções
afloradas, nem sempre as expectativas
dela estão alinhadas com as práticas do
médico ou com as possibilidades clínicas.
Nesse contexto, surge o plano de parto
como um planejamento feito entre a ges-
tante e o obstetra.
No decorrer do pré-natal, ela poderá
expressar suas preferências, ao mesmo
tempo em que o médico irá desmitificar
questões e ajustar as reais possibilidades
do que vem pela frente. "O planejamento
consiste em um acordo verbal entre as
partes. Porém, documentá-lo pode ser
positivo, já que diminui a margem de mal-
entendido e interpretação equivocada,
fortalecendo a relação entre médico e pa-
ciente", orienta Ângela Campos.
O plano de parto não é uma novidade.
Apesar de não ser muito utilizado nos
consultórios brasileiros, a prática dele é
uma recomendação da OrganizaçãoMun-
dial da Saúde desde 1986. Em diversos
países, a sua execução é uma realidade
consolidada para número expressivo de
gestantes, especialmente pelos benefí-
cios mútuos gerados. No caso da mãe,
além de promover maior conhecimen-
Arquivo pessoal
Gabriela construiu um plano de parto
junto à obstetra e ganhou mais
segurança em suas decisões