Revista Viva Conexão | Edição 14 - page 13

13
Unimed Federação Minas
Além de cumprir seu papel como
profissional, especialistas constroem elos
de amizades que serão sempre lembrados
Mais do que o diagnóstico, ele quer
uma palavra amiga, alguém para escutá-
lo e apoiá-lo. É dessa forma que um pa-
ciente espera ser recebido quando vai a
uma consulta. Afinal, a possibilidade de re-
ceber uma notícia não positiva sobre a
saúde causa desconforto, sendo necessá-
rio um suporte para enfrentar o momento.
É quando o médico entra em ação
para cumprir seu papel como profissional
e como uma pessoa próxima. "O especia-
lista deve perceber que o paciente é al-
guém fragilizado, que vive um momento
de instabilidade e dúvida", explica o ne-
frologista e psiquiatra Carlos Dumas
Gomes, da Unimed de Três Corações. "Por
isso, esse é o momento ideal para cons-
truir uma relação baseada não apenas na
capacidade médica, mas também no rela-
cionamento interpessoal entre o paciente
e o profissional."
A geriatra e especialista em cuida-
dos paliativos da Associação Médica de
Minas Gerais, Ana Paula Abranches,
aponta a comunicação como fator deter-
minante na construção dessa relação. "O
momento da consulta deve ser dedicado
exclusivamente ao paciente. Temos que
demonstrar a importância que ele tem e
que estamos lá para escutá-lo", comenta.
A empatia é outro fator importante.
"É preciso ver o mundo por meio dos
olhos do paciente, entender o seu sofri-
mento, dor e fragilidade. Reconhecer
esses aspectos demonstra a nossa cons-
ciência em entender o problema que ele
está vivendo", acrescenta Carlos Gomes.
Uma atenção mais especial
Pacientes que sofrem de doenças
crônicas ou que estão em fase terminal
necessitam mais ainda desse relaciona-
mento próximo. Nessas situações, não só
o médico deve estar presente, mas tam-
bém uma equipe multidisciplinar, for-
mada por enfermeiro, assistente social e
psicólogo. Juntos, eles são responsáveis
pela especialidade conhecida como
Cui-
dados Paliativos
. Além do atendimento
ao paciente, a família recebe suporte e
apoio durante o tratamento.
A psiquiatra e especialista em Cuida-
dos Paliativos da Unimed de Juatuba,
Maria das Graças Mota Cruz de Assis Fi-
gueiredo, afirma que essa forma de trata-
mento começa a ser construída no con-
sultório, quando o especialista dá retorno
negativo sobre uma doença. "Mostramos
que estamos ao lado do enfermo, que ele
pode contar com o nosso apoio. Com isso,
fazemos com que ele e seus familiares se
sintam acolhidos e confiantes de que
terão a ajuda necessária", ensina.
Após esse primeiro estágio, é preciso
entender com maior profundidade o his-
tórico de vida do paciente: os seus medos,
as ideias prévias a respeito do tratamento,
os itens de conforto para diminuir os re-
ceios do período de tratamento, o que
fazer para que a estadia dele no hospital
seja menos desgastante, entre outros
pontos relevantes. "Muitas vezes, as ne-
cessidades são bem simples e não atra-
palham a rotina da equipe. É importante
que assumamos um papel mais do que
profissional, que leve, por exemplo, até ao
desenvolvimento de uma amizade", ob-
serva a psiquiatra.
Para isso, ela defende a humanização
da saúde e afirma que a falta de tempo
não pode ser um obstáculo para que essa
prática seja exercida. "Seja em dois minu-
tos, seja em duas horas, nós conseguimos
estreitar a relação com o paciente olhan-
do nos olhos dele, chamando-o pelo
nome, perguntando se tem alguma dú-
vida. Isso é muito importante para o al-
cance de bons resultados", acrescenta.
Em sala de aula, a médica Maria das Graças reforça com os alunos a importância
do cuidado, do acolhimento e da compreensão das especificidades do paciente
Arquivo pessoal
Arquivo pessoal
Para Carlos Dumas, de Três Corações, o médico
precisa saber lidar também com as emoções e
frustrações do paciente durante o tratamento
1...,3,4,5,6,7,8,9,10,11,12 14,15,16,17,18,19,20,21,22,23,...32
Powered by FlippingBook