Revista Viva Conexão | Edição 14 - page 20

Revista Conexão - Julho / Agosto / Setembro de 2014 - Edição 14
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De que maneira o amor pode mudar
o mundo?
Acredito que todos os problemas
do mundo são gerados pelo "não amor".
Na minha visão, um truque da área de
negócios é fazer com que as pessoas
acreditem que o dinheiro é a riqueza,
enquanto, na verdade, a amizade é a ri-
queza. Eu já ministrei palestras em 76
países e, ao perguntar para mais de 40
milhões pessoas se havia algo mais im-
portante que o amor, apenas 10 delas
responderam que esse sentimento não
era relevante. Por isso, busco promover
que esta habilidade seja ensinada na
escola, desde o jardim de infância até o
ensino médio, uma hora por dia.
Falo sobre a inteligência do amar e
não do sentimento. A pessoa decide, a
cada momento de sua vida, ser amável,
expressar o amor. E, ao praticar esse
desempenho, continuamente, con-
quista coisas maravilhosas. Se eu per-
guntar "qual a sua estratégia de amor?",
quase ninguém tem uma resposta. E sei
disso pois entrevistei milhares de pes-
soas, desafiei o mundo a me trazer uma
que respondesse e nunca trouxeram.
Como o senhor, sendo homem e
médico, conseguiu ser essa pessoa
doce e amável?
A base, o alicerce, tudo o que eu
gosto em mim veio da minha mãe.
Então, aos 18 anos, eu decidi me tornar
um instrumento dessa revolução do
amor. A minha mãe fez de mim alguém
que foi capaz de tomar essa decisão
muito facilmente.
Como deve ser o relacionamento
entre médicos e pacientes?
Eu sei que qualquer pessoa pode de-
cidir: "eu serei amorosa". Exatamente
como a pessoa sabe decidir se vai parar
ou avançar quando chega num cruza-
mento de uma cidade movimentada. Do
momento em que acorda ao momento em
que vai dormir, continuamente, ela está
decidindo quem ela será.
E é necessária muita humildade e
sinceridade nesta convivência. O médico
não cura, trata. É arrogância e um perigo
entrar na medicina ou em qualquer curso
voltado para saúde pensando na cura,
porque você aprenderá a ser mais hu-
milde na primeira semana. O trabalho do
médico é cuidar das pessoas. Você pode
sempre cuidar, todo dia, o dia todo. Nunca,
jamais, antes de saber a consequência
exata de um tratamento, pode-se garan-
tir a cura. Não importa a prática que se
tenha com a doença.
Por que as faculdades de medicina
não ensinam a humanização entre mé-
dico e paciente?
Isso acontece porque a medicina co-
meçou como uma profissão masculina e
acredita-se que ser amoroso e suave di-
minui as características de ser homem.
Eu me correspondo com estudantes de
medicina de 120 países e parte deles fala
que os professores têm um senso de hie-
rarquia, e isso é muito doloroso para
quem está aprendendo.
Acho que muitos estudantes de medi-
cina entram na faculdade com um idea-
lismo. Os homens precisam resistir à sua
fome de ter poder sobre outras pessoas, ou
eles se tornarão alguém que gosta de ter
esse poder. Para mim, é muito claro que
cada pessoa, principalmente os homens,
pode aprender a ser amorosa, gentil e suave.
Qual foi sua maior vitória, nesses 40
anos de carreira, desde que decidiu abrir
o Instituto Gesundheit?
Eu nunca penso nessas coisas. Se
você me forçasse, diria que tenho sido
uma boa pessoa, um bom amigo. Tenho
dado a minha vida para a paz, a justiça e o
cuidado com as pessoas, de várias formas.
A profissão de médico, nos Estados Uni-
dos, é um negócio que representa 19% do
nosso Produto Interno Bruto (PIB).
Eu projetei, há 40 anos, um hospital
que eliminaria 90% das despesas, mas
que ainda não foi construído. Os pacien-
tes deveriam morar dentro do hospital,
em uma ecovila comunitária, onde o pro-
fissional encarregado pela limpeza e o ci-
rurgião receberiam o mesmo salário,
cerca de US$300 por mês. Em nosso hos-
pital, a entrevista inicial, que normal-
mente dura 10 minutos, levaria quatro
horas, e a consulta seria de graça. Quando
eu comecei, em 1971, tinha certeza que
CAPA / ENTREVISTA
Patch Adams defende o amor
como o grande solucionador de
problemas do mundo e a gratidão
e solidariedade como sentimentos
essenciais para a vida em sociedade
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