Coletânea de Contos e Crônicas - Sustentabilidade - page 65

64
comumacenahorrível, chegouadoerocoração. A rai-
va tomoucontadomeucorpo. Sentiumnónagarganta
e uma vontade imensa de gritar. Meu lugar preferido
sendodestruídopor umbandodehomens sem escrú-
pulos quenão se importam com anatureza, com apaz
que o silêncio traz. Só pensam em coisas de concreto,
casas, prédios, shoppings, gostam de paredes. Mas eu
não! Eugostode terra, gramamolhada, sensaçãode li-
berdade; gosto da natureza e, nomeio dessa selva de
pedras, aquelebosqueéoúnico lugar emqueme sinto
completamentebemeàvontade.Oumelhor,mesentia.
Mas issonãopodiaficar assim.
Fiquei tonta. Sentei-me na cama e, por alguns
instantes, viajei para outromundo. Não conseguia en-
tender omotivodas pessoasnãovalorizarem as coisas
simples.Depoisdeum tempomeapaixoneipelocheiro
das folhas, porcomoosilênciogritanomeiodelas. Será
quenãoentendemdeondevemoarque respiramos?É
dasárvoresquevemasombraquemuitosprocuramem
diasensolarados.Tudogiravanaminhamenteeminha
indignaçãoaumentavaacada segundo, acadabarulho
queaquelas serras faziam. Dizemqueé injustoalguém
morrer se não for de velhice.Mas por que só é injusto
com aspessoas?Anatureza também temvida, eé isso
oque importa: deondeviemoseoquenosmantémvi-
vos. Nesse instanteme revoltei em como as ideologias
estão erradas e as pessoas alienadas, se convencendo
de que a tecnologia é o melhor caminho. Aparecem
todos os dias na TV e em jornais reportagens sobre o
desmatamento,masnão fazemnadaa respeito. Fingem
que os problemas não existem. Quandopercebo, estou
gritandominhas ideias como seestivesse falandocom
1...,55,56,57,58,59,60,61,62,63,64 66,67,68,69,70,71,72,73,74,75,...143
Powered by FlippingBook