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alguém.Minhamãe, sementendermuitacoisa, apenas
tentavaacharumasoluçãoparaminhadore revolta.Eu
tinhaque fazer algoe tinhaque sernaquelemomento.
Olhei em volta, mas só enxergava um quarto
escuro cheio de fotos e sonhos colados em toda par-
te. Peguei a primeira calça que vi jogada na cama, me
vesti rapidamente - não haviamuito tempo antes que
destruíssem tudo - e só tinha a voz para convencê-los
de que aquilo era errado e que não podiam continuar.
Desço as escadas rápido demais e sinto um impulso
como se alguémme empurrasse e, quando vi já esta-
vanochão, pude sentiro impactocomoconcreto, uma
dorquaseque insuportável!Minhapele rasgavaeardia
comouma queimadura.Mas, nomesmo instante, veio
aminhamentemeu real objetivo e, então, levantei tão
rápidoquantodesci.
Chegandoaobosque, olheiemvoltaprocurando
uma direção à espera de uma luz que certamente não
chegou, e então corri para dentro, entrando na fren-
te de umamáquina enorme prestes a ser ligada. Mas
eu eramagra demais, insignificante demais e tive que
gritar para ser notada, para se importarem comminha
presençaali. Obosquepareciaescuroe sombrio. Ainda
assim, me sentia segura. Commeus argumentos apa-
rentemente ridículos, tentava convencer a todos, mas
oque euouviamesmo eram apenas risadinhas vindas
dos trabalhadores.
Umhomemenorme, comum sorriso intrigante,
mepediucomeducaçãopara sairda frentedasmáqui-
nas.Maséclaroqueeucontinuei ali, parada, assustada
com toda aquela situação. Com um suspiro, o homem
entãoagarroumeubraço,mepuxandosem fazerome-