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Chocadacomoqueoserhumanoécapazde fa-
zer,mequestiono: Oquehavia restadoparanós?Acho
que era impossível para ele pensar sobre isso, pois a
visão do futuro tinha sido ofuscada pelo brilho do di-
nheiro.
Quandome virei, reparei queminha avó esta-
vaexatamentenamesmaposiçãodesdeque tínhamos
chegado.Anossavoltanãoexistianada.Elaestavacom
umolhardistante, seuscabelososcilavamcomovento.
De repente, toda a tristeza de uma infância perdida se
esvaiu em lágrimas, elanão semovia. Seuolhar conti-
nuavadistante. Lembro-me, queolharparaeladoía.
Tivemeus pensamentos cortados pelo homem
queestavanosmostrandoa terra:
-Então, oqueachou, senhora?
Demorei umpoucopara responder.
-Estábemdiferentedoqueme falaram.
Ignorandominha fala, ohomemcontinuou.
-Vai construiroquê?
-Nãovouconstruir.
Eleolhouparamim, surpreso.
-Vou replantar tudooquehaviaaqui antes.
Agora já não tinha expressão para fazer. O ho-
mem abriu a boca como se fosse falar algo, mas desis-
tiu. Deuuma risada, em tomdedeboche.
- Senhora, impossível. Nadavai pegarnesta ter-
ra.
- Bom, existem váriosmétodos e processos de
reavivaçãodo solo.
-Sim, senhora.Mascustamcaro.
-Dinheiro, agora, nãoéoproblema.
- Mas, senhora, isso não vai valer a pena. Vai