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gastar todo o seu dinheiro nisso e não vai gerar lucro
algum.
Dessavez,minhaavó respondeupormim:
-Doquevaleodinheiro senão tivermosar?
Confesso ter ficado tão chocada quanto aquele
homem. Amais pura verdade, dita em algumas pala-
vras. O número de pessoas com doenças respiratórias
só aumentava. A cada dia, osmédicos buscavam criar
medicamentoenãoobtinhamrespostaalguma.Nossos
pulmõespediampor socorro.
Depois deumgrandeperíodode silêncio, oho-
memdesistiu. Achoquehavianotadoquenenhum ar-
gumentome fariamudarde ideia:
-Vou levarospapéisno seuescritório, amanhã.
- Tudo bem, obrigada - Dei um breve sorriso e
elepartiu.
Cheguei devagar perto deminha avó, coloquei
asmãos sobre seusombros.
-Vamosvoltar?
Estávamos suadas, com os rostos com um tom
marromeavermelhado, por contadapoeiraedocalor.
No rostodelaestavammarcasdas lágrimas quepor ali
haviam passado. Ela colocou suamão sobre aminha,
deu um sorriso e um obrigado fraco, por estar com a
garganta seca. Ambas sabíamos que ela e eunão esta-
ríamos ali para ver aquele projeto completo. Mas po-
deríamosdormir empaz, sabendoquenetosebisnetos
iriamveraquiloqueela jáviuequeeusonheiveravida
inteira.
Autora:MariaVitoriaGapskiGiordani