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Admiro o vovô, que apesar da idade já avança-
da, é bem sábio emostramuito conhecimento que às
vezes chega a ser chato. Vovô temuma fazendinha de
agricultura familiareépresidentedeum sindicatoque
evita o desperdício de energia e de água, incentiva o
consumo de alimentos orgânicos, apoia a rotatividade
e pluralidade de grãos plantados nas terras e a reuti-
lização de objetos. Os responsáveis pelo sindicato até
brigam com as empresas que desmatam áreas verdes
destinadasàpreservaçãoeexploram todosos recursos
minerais semnenhum tipo de cuidado e preocupação
comomundoquedeixarãoparaaspróximasgerações.
-Maria, ondevocêestá?
-Estouaqui nacerca, - respondeMaria
-Admirandoovizinhoacabarcomoseu futuro,
minhafilha?
- Mais ou menos isso. Estava pensando: será
mesmo que ele pensa que nós só comemos soja emi-
lho?
- É engraçado, não? Ironiza o vovô. E não é só
ele que pensa assim, querida. Amaioria da sociedade
sópensa em lucros eesquecedepreservar asflorestas,
matas, rios, recursosnaturais, lagos, oceanoseanimais,
que são verdadeiramente a nossa riqueza. Talvez ele
pense que viver bem é ter todo essedinheiro e ser su-
perior a todomundo. Ou talvez ele nem saiba o que é
viver, porque, aliás, nãoécomumvermos aspessoas se
preocupando com ações sustentáveis para seus negó-
ciose, emconsequência, para suavida.
Às vezes fico preocupada eme pergunto: o que
serádenósquando todosseusbenefíciosbonseessen-
ciais que a natureza nos dá acabarem? Questiono-me