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irmãs, pois para eles nossas vidas e a de todos que de-
pendiamdenósparasobreviverse tornavamminúscu-
las secomparadasaodinheiroqueganhariam.
Tudo começou em uma clara manhã de pri-
mavera. Tudo parecia normal, mas um forte estrondo
acabou com apaz que reinavanafloresta. Em seguida,
comecei a ouvir o barulho de ummotor e, algunsmi-
nutos depois, um novo estrondo. Fiquei curiosa, pois
não conseguiaver oque estava acontecendo,mas logo
descobri doque se tratava, poisumpássaropousouem
umdosmeus galhos emedissequeos humanos esta-
vamderrubandoárvores aonortedafloresta, nãomui-
to longedeondeestávamos.
Ao ouvir esta notícia, fiquei preocupada, assus-
tada e com raiva, tudo aomesmo tempo. Preocupada
com o que o pássaro havia dito porque, ao que pare-
cia, os humanos estavammatandominhas irmãs em
um local próximodeondeeumeencontravaenãode-
morariammuitos dias para chegar atémim. Assusta-
da com a possibilidade de sermorta, vendida e ter um
destino incerto, e com raivadaqueles queestavamnos
derrubando, pois fornecíamos tudo a eles e, ainda as-
sim, suaganânciaestavanosmatando.
Comoeuhavia imaginado, oscortesdasárvores
continuaram e, emduas semanas, os humanos já esta-
vam próximos de onde eu estava plantada. Atrás dele
havia apenas os tocos daquelas que um dia já haviam
sidoasárvoresmaisaltasdafloresta.Eles levarammui-
tas dasminhas irmãs e eu tive que ouvir seus pedidos
desocorro (queerammudosparaosassassinosdeduas
pernas) sem poder fazer nada, poismeu tronco grosso
e minhas raízes firmes que outrora me salvaram das