Coletânea de Contos e Crônicas - Sustentabilidade - page 103

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tema. Porém, eu vou escolher as duplas e garanto que
nãovai ser comoestãoacostumados-Verônica fala.
A turma, assimcomoeu, reagecomooesperado,
questionandoque tem alunos que fazem, outros não, e
que já estão acostumados com suas duplas.MasVerô-
nica nãomuda de opinião e semantém convicta. Ela
começa a separar a turma e coloca para trabalhar alu-
nos com característica e opiniões diferentes. Começo
aperceber quenãovou sentar comLili,minhamelhor
amiga, e, alémdisso, este trabalhovaidarmuitoerrado.
Olhando para o lado, percebo que Lili é dupla de Vic-
tor, ummeninomeioesquisitoequenão falacoisacom
coisa,mas é legal. Tento imaginar comquem euvou, e
acabei sobrando semdupla. Ah, que legal.Mas, naver-
dade, não. No fundoda sala, escondidodebaixode seu
capuz, estáomeninoque raramente fala, Sebastian. Ele
édifícil decompreender, assimcomo seusolhospretos
como a noite e suamania estranha de encarar as pes-
soas como se soubesse seusmais profundos segredos.
Pensardessamaneiraémeiomacabro. Balançoacabe-
çapara ver semeus pensamentos vão embora. Vou ter
queme sentar comele. Comoelenãovematéaqui, ca-
minhoemdireçãoao fundodasala, enquantoaprofes-
sora vai sorteando os temas e convencendo os alunos
sobreonegóciode inovarasduplas.Aprofessorachega
a nossa carteira, pego um papel dobrado com o tema
e ela sai. Torço para não pegar sustentabilidade, mas
quandoabroopapel láestáa lindapalavraemnegrito.
-Droga-eudigobaixo.
Sebastian dá um sorriso ao ver o tema. Assus-
to-me. Nunca ovi sorrir. Depois, ele começa a falar al-
gumas coisas que, na verdade, escuto apenas o fim da
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