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UMDIA
CINZENTO
-Estão todosprontos?-Gritouopai, disparando
oalarmedocarro.
João, descendo as escadas, com a sua mala e
a de sua irmã nas mãos, fez um resmungo que sim e,
aomesmo tempo, como de quem reclamava por estar
carregando tudo sozinho. Era o caçula da casa. Entre-
tanto, não gozava nenhumamordomia por isso: ficava
responsável pelamaioriados serviçosdomésticose to-
dososdias, antesdecomeçaraestudar, levavaBilbo-o
cãozinhovira-latada família-parapassear.
JáAmélia, afilhamaisvelha, eraoopostodo ir-
mão. Não tinhanenhuma responsabilidade. Suasnotas
na escola eram sempremedianas. Cursando o último
ano do EnsinoMédio, ela não estava nem um pouco
preocupada com o vestibular. Pensava apenas em ir a
festaseodiavaquandonãopodia ir, pois tinhaqueficar
cuidandodo irmão, queera trêsanosmaisnovoeainda
nãopossuíapermissãoparaficar sozinho.
-Filha?! -Disseamãe, abrindoaportadoquarto