exposições e recentemente fiz uma série de bicicletas no Ca-
nadá. Em todas as viagens que eu faço, capto algumas coisas
e faço interferência no photoshop. EmGuarapari, tenho uma
galeria no corredor do meu apartamento comminhas fotos.
Isso tudo me faz sorrir.
RevistaViva:Osenhorsempretrabalhoubem-humorado?
Noslen Salles:
Desde a faculdade sou conhecido pelo meu
humor. Sou o presidente da comissão organizadora dos en-
contros de nossa turma. Nos encontros, me fantasio e faço
vários personagens, um deles é o Frei Bento, um padre ale-
mão que não bebe mais, pois parei de beber. Faço também o
Soneca. Para isso acordo de manhã bem mais cedo e deito
abraçado aumursinhona frentedo restaurantedohotel, onde
é servido o café da manhã, esperando os colegas chegarem.
Temtambémumgarçom, como bumbumde fora, aqueles de
plástico. Tambémusodentaduras que ganhei deumpaciente.
Elequeriamedar umpresente, falei quenãoprecisava, que era
meu trabalho. Ai ele frisou: "Mas eu quero lhe dar umpresen-
te". Olhei para a ficha dele e dizia: protético. Disse que queria
uma dentadura. Ele falou: "Você só pode estar brincando, o
senhor tem dentes perfeitos." Mas eu queria uma dentadura
toda torta para fazermeus personagens (risos). Por isso tenho
uma toda torta, com detalhes imitando ouro e outra toda es-
tourada que deixa o queixo projetado para frente.
RevistaViva: E onde usa tudo isso?
Noslen Salles:
Uso nos encontros da turma. Sempre sugiro
encontros temáticos. Começamos a fazer de cinco emcinco
anos, mas aí as pessoas começarama envelhecer e passamos
para encontros de três em três anos, depois a cada dois anos
e agora fazemos anualmente.
Revista Viva: Como o humor ajuda diante de uma rotina
estressante?
Noslen Salles:
O humor quebra o gelo. No trabalho do mé-
dico, o paciente chega ao consultório doente, então nós te-
mos que juntar os caquinhos dele de certa forma. Por isso,
precisamos ser o mais tranquilo possível e ao mesmo tempo
ser um pouquinho de padre e psicólogo. Então, para mim, o
humor é uma forma de lidar com isso, mas isso vai
de cada um, pois tempessoas que são tímidas, mas
eu sempre tenho essa possibilidade.
RevistaViva: E como "quebrar o gelo" comes-
sas pessoas mais fechadas?
NoslenSalles:
Há alguns anos, quando era do co-
mitê educativo daUnimedVitória, fiz umtrabalho
com sociodramas emontei teatrinhos educativos
para serem feitos na hora da chegada de novos
cooperados. Tinha o Dr. Later, que só chegava
atrasado e o Dr. Rapidinho, que atendia os pa-
cientes em pé. Eu desenvolvi todo o texto e era o
diretor, produtor e artista (risos). Foi um sucesso
danado, tanto que outras Unimeds de outros es-
tados gostaramda ideia e utilizaram isso. Mas em
geral na área biomédica, os profissionais como
dentistas, psicólogos e até na medicina estética,
precisam ser alegres. Vejo isso também como
paciente, porque já precisei alguns atendimentos
médicos de colegas mais fechados e eu sempre
tentava quebrar o gelo com humor.
RevistaViva: Oque fazparamanter oambiente
leve?
Noslen Salles:
Isso vai do DNA de cada um, não
se ensina na escola. Manter um ambiente leve é
importante sim, claroque às vezes a gentenão con-
segue todos os dias, por que em casa todo mundo
está suscetível a ter um incômodo com seus pares
e a pessoa acaba ficando com a cara emburrada.
Nos momentos mais difíceis é complicado evitar
ficar de cara feia.
RevistaViva: O que tira o seu humor?
Noslen Salles:
Como faço atendimento emcon-
sultório, o que me tira o humor é chegar para
trabalhar e as coisas não estaremno lugar, semes-
taremprontas e certinhas para começar a atender,
como papel. Se estivesse àmão seria bemmais rá-
Procuro atender sempre com um sorriso no rosto