pido. Aburocraciame incomoda umpouco. Outra
coisa queme incomodava bastante era o trânsito,
porque eu vou amuitos lugares e pego horários de
pico e isso é ruim. Depois que soube de pessoas se
matando no trânsito, embrigas, comecei a refletir
e hoje evito o estresse escutando CDs de inglês ou
francês para poder me aperfeiçoar. Atualmente,
levo 20minutos para ir até a Serra e gastomais 20
minutos na volta, então são 40 minutos ouvindo
as aulas e issome ajuda amelhorar omeu inglês e
francês, e ainda quebro o estresse. Tambémgosto
de ouvir música, inclusive já fiz um show e tenho
um CD e DVD gravados.
RevistaViva: Como foi isso?
Noslen Salles:
Eu e um amigo fizemos um show,
mas é de tudo um pouco. Começa com sertanejo
e vai até o axé, passando para o samba. Eu faço
percussão - tenho dois carrons e pandeiros - e
gravei commeu amigo oCD "Muitas histórias para
cantar". Foram três dias de shows. Estamos há 34
anos cantando juntos e começou quando um dia
ele estava emumbar, sozinho no violão, aí eu che-
guei e perguntei se poderia dar uma força. Desde
então tocamos juntos.
Fazer rir não é fácil. Mas é
importante tentar, com jeito
o que faz a pessoa perder o dia emuitas coisas importantes.
Uma noitemal dormida desfavorece o dia a dia e a saúde. A
pessoa pode quebrar um pouco o estresse sendo mais bem
humorado e isso pode salvar as consequências negativas
das descargas de adrenalina.
RevistaViva: Recomenda aos pacientes levar a vida com
mais humor?
Noslen Salles:
Para isso tem que ter muito jeito e muito
tato. Emalguns casos, omelhor seria recomendar umpsicó-
logo, mas eu tento irradiar umpouco domeu humor nessas
pessoas. Sou muito querido pelos velhinhos e velhinhas
porque abraço e beijo. Tento recomendar com jeito. Se a
pessoa está mal-humorada, ela não gosta de ser diagnosti-
cada assim. Mas se tiver oportunidade, eu falo que ela deve
ficar mais calma, que rir é o melhor remédio, conto uma
história. Mas temhoras que você conta a sua piada favorita
e a pessoa não mexe nada, faz cara de paisagem. Fazer rir
não é fácil. Mas é importante tentar, com jeito.
RevistaViva: De onde vem todo esse bomhumor?
Noslen Salles:
Meu pai é muito bemhumorado. Acho que
tem um pouco de criação. Com 83 anos, ele tem uma roda
de amigos mais novos. Ele está sempre brincando. Desde
criança, a gente via as tiradas dele. Acho que essamarca vem
do nosso DNA. Nossa família é muito legal, muito ajustada
e festiva, então segui essa linha.
Revista Viva: Quais são as consequências do
mau humor na saúde da pessoa?
Noslen Salles:
O estresse é um fio condutor de
coisas ruins e pode até matar. O estresse tam-
bém é contagiante, a pessoa deixa a família e os
colegas de trabalho estressados. As descargas
de adrenalina têm várias consequências ruins e
podem até acelerar o envelhecimento da pessoa.
Já a ansiedade piora o sono, provocando insônia,
Com seu jeito extrovertido, Noslen Salles
também flerta com as artes: além de tocar
percursão e expor fotografias, já escreveu quatro
livros, entre eles "Todo Menino é um Rei".
fotos
José Alberto Jr.