Revista VIVA| Edição Humor|17 - page 9

REVISTA VIVA
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Além da medicina, também fazem parte do seu dia a dia a
música, a fotografia e a literatura. Noslen Salles é casado
há 32 anos, tem duas filhas e dois netos. "Procuro aten-
der sempre com um sorriso no rosto, mesmo que esteja
passando por algum problema pessoal. Isso é papel do
médico e pode ser aplicado em outras profissões também.
É preciso ter amor e humor."
Revista Viva: Como ajudar as pessoas no dia a dia do
médico semperder o humor?
Noslen Salles:
Com 35 anos de carreira, a gente consegue
ter mais sensibilidade. Ao chegar e dar um bom dia ou boa
tarde aos pacientes eu já consigo ver quem está "mais caí-
do", quemprecisamais de ajuda e detecto uma pessoamais
fechada. Nesses casos eu costumo dizer: coragem. Trabalho
combomhumor e tento levantar a autoestima das pessoas.
Recentemente fui surpreendido quando um paciente saiu
e repetiu: coragem. Ele mesmo se denunciou, pois estava
exausto e fadigado. Acho que depois que saímos de casa
para trabalhar temos que esquecer tudo e dar atenção aos
pacientes. Eu já estou com 60 anos e esse aprendizado
foi adquirido ao longo do tempo. Existem pessoas mais
problemáticas, que já saem de casa carregadas. Eu des-
construo tudo o que há por trás e vou para o meu trabalho.
Atuo também em serviço público e lá consigo muito bem
isso, pois a alegria realmente contagia os mais humildes.
Eu sou muito presenteado, com coisas simples, como uma
toalhinha commeu nome. Acho que isso vem como agra-
decimento pelo meu atendimento.
Revista Viva: Muita gente vê a imagem do médico
como pessoa séria, como descontrair o ambiente no
consultório?
Noslen Salles:
Em alguns casos no dia a dia do consultório
costumo levar os pacientes até o elevador, para relaxar um
pouco. Isso causou uma boa impressão a uma família, eles
são do Rio de Janeiro e voltaram para trazer outra pessoa
da família, dizendo que fui o único médico que
já havia levado um paciente até o corredor. Fiz
isso comnaturalidade. As pessoas errammuito o
meu nome, e sempre levo na brincadeira. Até um
tempo atrás anotava as estórias. Me chamam de
doutor Nozes, Onózimo, Norlen. Uma vez umpa-
ciente chegou e falou "Bomdia, dr. Onório", olhei
na ficha e o nome dele era Luiz Carlos. Aí falei
"Bom dia, Lorival". Ele falou que não era o nome
dele, aí brinquei que tambémnão eraOnório. Isso
sempre rendebrincadeiras emomentosde leveza.
Revista Viva: O que o senhor faz nos tempos
livres?
Noslen Salles:
Já escrevi quatro livros, umpara
cada uma das minhas duas filhas e outros dois
parameus dois netos. Oprimeiro foi "De pai para
filho no Espírito Santo", depois "Agora somos
quatro", "Só netos, filhos com açúcar" e agora
escrevi "Todo menino é um rei". São livros de
sonetos e poesias que escrevo em homenagem
a eles. Também gosto de fotografia. Já fiz quatro
Noslen Salles contou que
trabalha com humor nas
consultas para tentar levantar a
autoestima dos pacientes.
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